Eu já fiz um post com 3 dicas e resolvi fazer outro. É que conversando com algumas pessoas, senti que elas tem algumas dificuldades e mitos sobre certos detalhes. Então, vamos tratar de acabar com isso?! Vamos!

E se o primeiro post foi voltado pro olhar, esse é mais técnico. Vamos falar sobre as configurações da sua câmera.Outra coisa: essas nem são minhas melhores fotos, mas elas estão aqui pra ilustrar algum detalhe.

Ah! E antes de mais nada, sua câmera não precisa ser profissional, mas tem que ter o modo manual (M), ok? E você precisa saber que existem 3 elementos principais: a abertura, a velocidade e o ISO.E pras entendedoras: não me julgue, vou tentar falar de um jeito que seja mais fácil de compreender. Tentei fazer um post pra ajudar que não sabe. E se você tiver algo a acrescentar, seja bem-vinda!

Vamos lá:

1. Entenda o tempo do seu assunto

Antes de olhar através da câmera, a primeira coisa que você precisa fazer é descobrir a essência do assunto a ser fotografado. É uma pessoa? É uma paisagem ou um prédio? Ou é um carro em movimento?

Essa informação vai te contar muito sobre a velocidade e é ela que define o tempo em que vai entrar luz no seu sensor.A velocidade vai de segundos (1′, 2’… 30′) até frações de 1 segundo (1/10, 1/500… 1/4000).

Uma pessoa vai se mexer e um prédio não, então, teoricamente a velocidade pra um retrato tem que ser “mais rápida” que pra arquitetura. O ideal é que esteja acima de 1/50, já que quem fotografa também respira e treme sem querer. Isso vai evitar que a foto saia borrada. Uma pessoa posando vai tentar sempre não se mexer tanto, né?
Já se seu assunto é um carro em movimento, então, provavelmente sua velocidade precisa ser pra lá de 1/250. Bom, isso sempre vale se sua intenção é congelar um movimento: uma pessoa posando para uma foto é completamente diferente de uma criança correndo. as duas são gente, mas 1/50 pode até  funcionar pra pose e não pra criança não vai.
Agora, se a ideia é fazer as ondas virarem um véu, por exemplo, então é o inverso: a velocidade tem que ser menor.

2. Desfocando

Você quer que sua foto fique igual às que já viu por aí, com o fundo super desfocado? Isso é trabalho da abertura (f). Ela tem a ver com a quantidade de luz que entra.

Pra um maior desfoque, sua abertura precisa ser grande. E lembre que quanto maior a abertura, MENOR o número. Use o limite que sua lente permite. Existem lentes que começam em f/1.8, f/2.8, f/3.5, f/4. Se a sua veio no kit, provavelmente ela começa com f/3.5 e é esse que deve ser usado pra um desfoque maior.Estar perto do assunto também faz parte do processo.

*Se você entende dos paranauês, sabe que a maior abertura, geralmente, não é a mais nítida na maioria das lentes… mas se você entende, não precisa ler essas dicas. 😉 E se você não entende, saiba que não vai fazer tanta diferença assim.

2. Destabulizando o ISO

 

Bem a grosso modo, na fotografia analógica, o ISO representava a capacidade química que o filme tinha de absorver luz. Então, quanto maior o número (maiores o grãos), mais escuro poderia ser o ambiente, que ele dava conta de captar a iluminação. Não temos mais filmes, agora o sensor é uma placa cheia de receptores que, eletronicamente, captam a informação da luz. Se antes era charme ter uma foto granulada, hoje, o ruído é “o vilão das boas fotos”…Funciona assim: você definiu sua abertura e descobriu a velocidade que precisa, mas não consegue zerar seu fotômetro. A foto ainda está escura. Só restou o ISO.
O ideal é que use o mínimo possível, como dizem, mas dependendo da situação, ele precisa ser aumentado, porque não tem outra opção. E se você não for fazer uma impressão ampliada gigante, não se preocupe. Pra usar uma foto num post, por exemplo, não vai fazer tanta diferença assim. Mas provavelmente você vai precisar editar pra reduzir um pouco esse ruído. E é importante que você lembre sempre de tirar a foto o mais certa possível, pra não ter que editar muito. Quando alteramos a exposição por um programa de edição, de fato, o ISO tende a ficar pior.
Pegue por exemplo essa foto de um dos meus últimos projetos: ela foi feita com ISO 6400, que é considerado muito alto pra uma câmera de entrada. Mas eu corrigi levemente no Lightroom e só aparece se ampliar.

Muita gente tem medo de mexer com ele porque já ouviu dizer que ruído é ruim. De fato é, mas no fim das contas, melhor uma foto com ruídos que não ter foto, certo?

Como EU uso isso tudo?

Vou usar o exemplo da foto que falei aqui em cima, pra facilitar.

Minha lente é f/2.8 e ela foi tirada no meu quarto (que já é escuro), às 17h30. Isso significa uma situação extrema de quase falta de luz. Estava em f/2.8 e velocidade 1/13, ou seja, não tinha mais o que fazer além de subir o ISO.

Bom, uma coisa acaba levando à outra e é preciso refletir antes de sair disparando. Mas normalmente (nas CNTP) prefiro deixar na abertura máxima, mesmo sabendo que pode não me dar uma foto tããão nítida assim, porque essa diferença acaba não sendo exatamente perceptível. Daí ajusto pra uma velocidade que acho legal (1/50 ou 1/100, pra não tremer e perder a foto. Só se for em situação extrema que eu diminuo mais. Normalmente, é daí pra cima.) E aí o ISO vai terminar de fechar a conta do fotômetro. Mas eu SEMPRE zero meu fotômetro no +1, porque se precisar mexer na exposição, percebi que diminuir é melhor que aumentar. 😉

 

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2 respostas para “Fotografia: 3 dicas um pouco mais técnicas – como configurar a câmera”

  1. Gostei das dicas Ana! Eu tenho muita dúvida em relação as fotos de objetos. Infelizmente minha camera é uma super zoom (Canon SX 520HS) e não troca lente. Por este motivo não consigo te um desfoque tão alto assim. Ela tem a opção do modo manual também, mas como não sou uma profissional no assunto pra usar no manual, quase sempre uso ela no modo live, que tem mais a ver com o estilo de fotos que eu gosto, as cores são mais frias e tal. Enfim! Se puder dá uma olhadinha nesse modelo e nas configurações pelo google pra vc ver como ela é.

    Mas pretendo comprar logo uma profissional e fazer fotos com qualidade. Não vão sair tão perfeitas como as suas porque não sou uma fotógrafa né, rs. Mas pelo menos acho q consigo um pouco mais de qualidade.

    Bjinhos
    Layde

    http://www.senhorabaguncadiy.com.br

    • Layde, vou deixar uma resposta aqui pra você e pra complementar o post pra quem mais tiver o mesmo pensamento…
      . . .

      Vou usar uma frase que já li por aí: "falar que uma pessoa fez uma boa foto por causa da câmera é o mesmo que dizer que a comida de um chef é boa por causa do fogão."
      Claro que alguns modelos tem suas limitações, mas se você se entender com a sua, dá pra tirar o melhor que ela pode te oferecer. Por exemplo, se ela não permite um desfoque muito grande porque tem a abertura limitada, se aproxima mais do objeto ou então afasta mais do fundo. Eu sei que pra fotografar em certos ambientes, pode não resolver, mas sempre é possível se adaptar (nem que seja mudando o ângulo ou eliminando o fundo).
      Antes de trocar o equipamento, aprenda tudo que puder aprender com o que já tem. Se com ela você já não consegue usar o modo manual plenamente, imagina com algo totalmente novo?!
      E se for pensar assim, depois de adquirir um equipamento profissional, mas de entrada (como é o meu), você vai começar a achar que as fotos ainda não estão boas porque você não tem a câmera top das tops de linha, nem as lentes da série de luxo… 😉

      E não me entenda mal! Acho ótimo que você e todo mundo queira melhorar! Mas o caminho desse raciocínio é equivocado. E é um pensamento tão comum de ver por aí (também já tive) que depois que a gente se dá conta, já gastou uma grana sem necessidade e se sente meio estúpida de ter pensado assim. Te falo, realmente, por experiência própria. hehe

      Beijos!

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